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Gestão do Poder Judiciário (II)

Ainda falando sobre a administração dos fóruns, imagino que com um modelo de gestão empresarial alguns “tabus” seriam abolidos e poderiam beneficiar a qualidade da prestação de serviço jurisdicional.

Por exemplo, a idéia de que o espaço do fórum é um lugar sagrado e de dignidade imcompatível com um par de chinelos (lembram do caso do juiz e do par de sapatos naquela famigerada audiência trabalhista?). Muitos juízes ainda acham que a casa do Poder Judiciário está acima da casa das pessoas que freqüentam aquele lugar, bem como eles estão também acima daquelas pessoas.

Pois bem, penso que uma gestão desvencilhada de egos inflados desde a faculdade pode ajudar.

Como sugestão para a utópica administração empresarial do Poder Judiciário proponho que haja formulários a disposição dos que freqüentam e trabalham nos fórum a respeito do grau de satisfação quanto ao tratamento, rapidez do atendimento, organização, etc. tal como acontece em alguns empreendimentos privados. E que isso atinja desde os atendendes no balcão de informações até os magistrados. (Por experiência própria, os atendentes teriam os melhores resultados)

Quem já foi atendido por um cartorário, por exemplo, já ficou, pelo menos alguma vez, esperando ele terminar uma conversa pessoal, mesmo com uma fila de interessados em frete ao balcão, ou então, quando perguntou por algum processo recebeu como resposta: “Ih, hoje, não vai dar pra achar nada aqui porque os processos estão todos misturados. Volta daqui uns dois dias....”.

Sim, eu sei que alguns fóruns já contam com processos eletrônicos. Sei também que nem todos cartorários prevaricam, nem todos os juízes e juristas são arrogantes, mas eu já conheci muitos. Mais do que eu gostaria.

E sem querer me desviei do assunto. Não quero falar da natureza humana daqueles que lidam com processos, mas propor que o Poder Judiciário desça de seu pedestal e se interesse em servir a população. Para isso, deve tomar medidas efetivas contra suas falhas e melhorar sua prestação de serviço. A frase não é minha, mas reflete o que eu penso: “Justiça tardia não é justiça”.

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