Pular para o conteúdo principal

Peticionamento – orientações gerais

Neste tópico, não pretendo indicar “formatos modelos” para o peticionamento, mas informar a melhor forma de executar um texto direcionado ao juízo com clareza.
È preciso estar atento ao fato de que juízes são ocupados e tem uma imensidão de processos para julgar. Nunca atuei junto aos magistrados mas, diz a lenda, que não há tempo suficiente para dar a devida atenção aos processos e, portanto, as petições não são lidas de maneira atenta e pormenorizada. Diz-se que os juízes “passam o olho” pelo processo. Não sei o quanto o alegado tem de verdade (ainda que plausível) e, na dúvida, melhor tornar o texto da petição simples, direto, bem formatado e o mais curto possível.

De inicio, cabe ressaltar que eu uso o método “dos fatos”, “do direito” e “do pedido”. Não é obrigatório, claro, mas é, sem dúvida, simples e direto. Como num livro, estes seriam as grandes divisões do texto.

Dentro “Do Direito”, caso a argumentação seja longa e tenha mais de uma “frente de defesa”, deve-se dividir os pontos principais, tais como: 1. da má-fé do réu; 2. da existência do ato ilícito; 3. do nexo causal, etc.
Neste ponto, a dica é: o nome do sub-titulo será aquilo que está se tentando provar. È confuso colocar num subtítulo algo como “de quando o autor foi a concessionária de veículos”. Isso não diz nada ao juiz! Como num título de capitulo de um livro técnico, o tema deverá ser simples e direto, indicando também aquilo se provará ao final da explanação, ou seja, no exemplo dado: “da existência de vício de qualidade”.

Advogados usam a formatação do texto como apoio para a argumentação, o que é realmente muito útil, desde que o exagero não comprometa a proposta. Explico-me: quando usar negrito, itálico, sublinhado ou até outras cores é necessário fazê-lo com parcimônia. O uso exagerado fará o destaque perder a função, qual seja, chamar a atenção de quem lê para determinada frase ou palavra, que deve sintetizar a idéia central e até mesmo ter função dramática, tendo objetivo de “absurdizar” uma sentença (com a devida licença poética para inventar a palavra:-).

Para quem inicia no peticionamento, é preciso também lembrar de alguns detalhes práticos: a margem a esquerda é sempre maior porque neste espaço serão feitos os furos que apensarão a petição ao processo; após o endereçamento é de boa técnica deixar um espaço de oito parágrafos até o inicio do texto pois alguns cartórios o usam para carimbar a notificação de atos internos (em SP usava-se este espaço, já em Curitiba, não).

Para maiores detalhes, indico o livro “Prática Jurídica Civil”, de Darlan Barroso e Juliana Francisca Lettière. Não há nenhum interesse escuso nesta indicação visto que eu não conheço os autores nem tenho relação com a editora (Manole, por sinal), mas simplesmente porque acho o Capitulo 1 especialmente interessante e útil para melhorar a técnica de peticionamento de quem inicia.
Entendo que o livro é direcionado para o Direito Civil, mas as dicas são abrangentes o suficiente para qualquer texto jurídico.

Como adendo ao exposto, lembro que a petição deve ser de fácil entendimento e objetiva. O rebuscamento ou fatos narrados com detalhes irrelevantes afastam o leitor do seu ponto de vista (qual seria mesmo?). Na dúvida, depois de expor tudo que acha importante, inicie um parágrafo com “Em resumo, o autor/réu...” e vá direto ao ponto. Pode ser que o juiz só leia isso, mas pelo menos ele chegará a conclusão que sua argumentação propõe.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A importância da procuração ao advogado

Primeiramente, cabe dizer que procuração é um documento muito importante. Muito mesmo! A procuração serve para dizer ao mundo que determinada pessoa agirá em seu nome, com sua autorização e, juridicamente, como se você fosse. A procuração dada ao advogado para representar o cliente em juízo é conhecida por “Procuração Ad Judicia”.  Esta procuração terá validade para todos os atos em juízo, exceto aqueles listados no art. 38 do Código de processo Civil: Art. 38. A procuração geral para o foro, conferida por instrumento público, ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, salvo para receber citação inicial, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a ação, receber, dar quitação e firmar compromisso. Esse rol de exclusão existe por causa da importância elevada que os mesmo têm. No entanto, é praxe o advogado apresentar ao cliente a procuração com os referidos...

Mataram meu gato

Dia 23/01/2009 mataram meu gato envenenado. Aqui vou fazer uma abordagem jurídica do ocorrido e não vou discorrer sobre a covardia e crueldade de envenenar um animal indefeso. Primeiro, o comércio do veneno conhecido como chumbinho é ilegal. Portanto, é crime a compra e venda dessa toxina. Sabendo que alguma loja faz o comercio dessa substância, deve-se fazer denúncia a ANVISA que pode ser contatada por sua Ouvidoria no e-mail ouvidoria@anvisa.gov.br ou pela Gerência Geral de Toxicologia ( toxicologia@anvisa.gov.br ). Todos os dados são mantidos em sigilo e a identificação não é necessária. Também deve-s relatar à Vigilância Sanitária (por meio do telefone 156) e à subprefeitura do seu bairro. Já envenenar animais é crime disposto no art. 32 da lei Federal 9.605/9 (Lei dos Crimes ambientais) e no Decreto-Lei 24.645/1934 . Se houver flagrante, é possível chamar a polícia através do 190 (será que ela vem?); ou então fazer a denúncia na delegacia. ...

ADVOCACIA ARTESANAL: o que é?

A prestação de serviços jurídicos pode ser feita por um escritório grande, por um escritório pequeno ou por um advogado autônomo. Todos podem prestar um bom atendimento, satisfazendo os interesses do cliente, mas o escritório pequeno e o advogado que trabalha individualmente terão um contato muito próximo com o cliente, necessariamente. Não haverá intermediários. O profissional que atende a consulta será o mesmo que tratará pessoalmente do caso. O escritório pequeno poderá também contar com estagiários e alguns sócios, mas a parte significativa do trabalho e o atendimento será feito pelo profissional que teve contato com o cliente. O advogado que atua individualmente cuidará de todas as minúcias do processo, não delegando nenhuma tarefa e se responsabilizando individualmente por atender o cliente. A grande banca de advogados delegará o processo aos profissionais que trabalham internamente (advogados juniores, estágiários e,outros colaboradores), e o contato com o cliente p...